Cores. Brasil, 2013. / O muro. Brasil, 2008.

E ontem finalmente tive tempo de conferir a Parada de Abril, evento disputadinho de cinema e outras artes que está rolando pela cidade. Assistir a curtas e filmes inpendentes produzidos recentemente no Brasil está cada vez mais difícil se você não mora nos principais centros urbanos do país. Iniciativa linda de Tássia Araújo e Jell Carone. Acho que este projeto deveria ser permanente, fica a dica!

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Sobre o longa de ontem, Cores, é visualmente intrigante. Adorei a proposta neorealista de Francisco Garcia e a classe média baixa brasileira [ou seria classe baixa mesmo?] precisa ser mais retratada na telona, estética podrinha ímpar, sinto falta… Fotografia primorosa em p&b [apesar do título, Cores]  e direção de arte idem. O elenco é surpreendente, ainda tem pontinhas incríveis dos sumidos Guilherme Leme [o eterno Gerald da Vamp], charmosíssimo de piloto fardado, e salve Tonico Pereira. O cafuçu da farmácia, Acauã Sol, também merece menção honrosa [hihihi]. Só achei que o filme tem alguns momentos indie forçosos desnecessários, como na cena em que o carro da galera do rolé dá prego na BR e eles ficam lá sentadinhos nas cadeiras de praia chapados olhando para o nada, e no final também, quando chove e a tartaruga Capitu rouba a cena. E o tom indie deprê também não me cativa muito, vamos sacudir moçada!!! Brasil é o país do futebol, pô [hahaha]! No mais, quero saber o nome daquela banda de rock sujinha que toca num inferninho no início do filme. É o primeiro longa do diretor, pode vir coisa boa por aí.

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Achei o curta O muro, do pernambucano Bruno Bezerra aka Tião, bem mais interessante que o longa. O curta experimental é esteticamente ambicioso com soluções surpreendentes e passativas. A escolha de não-atores tornou tudo mais cru  e visceral. Se passa num vilarejo esquecido no interior de Pernambuco, o tal muro representa as mais variadas divisões, como as de gênero, a disparidade social vinda da política de coronelismo tão presente no nordeste, assim como me remeteu ao Muro das lamentações e ao de Berlim também. Falando em Berlim, o filme recebeu menção honrosa em Cannes, tá?

E a programação de hoje na Parada de Abril é a seguinte…

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